segunda-feira, 9 de abril de 2012

'-'


Só poderá me entender, quem já olhou em volta,
E não enxergou sentido,
Só poderá me entender quem já se sentiu dividido,
Tal qual uma refém do juízo,
Tentando voltar para casa, para o amor.
Só será capaz de me compreender,
Aquele que perceber, que também tem medo do calor.
Pois, mesmo que necessário,
Pode queimar, mesmo que fraco, pode não bastar...
Não sei se saberei lidar, dosar...
E o tempo para pensar, já perdi, e agora,
Corro, ainda que cheia de dúvidas,
Atrás do que eu não escolhi.
Tento sair, a todo instante,
Deste buraco confuso, sem fundo, onde me meti.
Será possível que ainda sã,
Eu consiga um final feliz?
Já estou farta de buscar pelo entendimento,
E ser da vida eterna aprendiz,
Eu quero não ter medo,
Quero enfim fazer uma escolha com certeza.
O tempo do qual eu preciso para analisar tudo, corre,
Desespera-me, tira das minhas mãos frias toda a destreza.
E em meio a tudo isso,
Enxergam em mim, algo de beleza e descuido.
Meus estresses se procriam, já não há outro pensamento,
Que não o incontentamento, de não resolver isto tudo.
Por favor, se pretendes entrar,
Traga luz e uma pá,
Pra ver se limpamos e concertamos esse meu mundo...
E se não tiveres resposta que me sirva,
Se me criticares e não atender à expectativa,
Pedirei que se retire,
Pedirei que me torne novamente apenas aquela tua amiga,
A qual abraça, acha graça, mas não divide a vida.

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