Cortei-me.
Cortei, cortei, cortei e não houve quem circuncidasse.
Depois, de olhos fechados, senti o cheiro do sangue e seu leve som do gotejar...
Entonteci, me intumesci, apenas quis fugir de onde estava sem saber para onde ir,
Sem querer ficar, sem tomar decisão ou proferir palavras.
Chorei e me enclausurei.
Foi bem aceito, aquele remédio imaculado...
“O tempo” passou, a dor diminuía a cada alvorecer.
Já sorria, já não tinha o que temer.
Até que... Houve mais desespero, um giro torpe, um desassossego.
Vi-me sem conseguir pregar o olho, sem dormir e sem acordar,
Fui perdendo tudo de eu que tinha, me via a pensar em morte sem titubear...
Tantas dúvidas,
Mais tempo se passou...
Foi me enchendo duma coragem benfazeja, me sentia uma gladiadora sem medo,
Sem parentesco, sem o que esperar, pelo que chorar fria, forte,
Inconsequente e absolutamente obstinada.
Fiquei sem palavras, não soube descrever o que senti quando vi que TUDO, não era NADA...
Escapou-me o entendimento, veio o tormento...
Continuei seguindo com obstinação, com paixão, até o fundo do mistério...
E lá, naquele escuro, após caminhar sem saber onde ia parar...
Encontrei uma leveza que me fez sentir levitar.
Já não me lembrava do corte, não me lembrava do tempo,
Não me lembrava do desespero, não me lembrava da morte...
Será isso fantasia, sonho, ou... Inesperadamente, um pouco de sorte?
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